segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Nos corredores do poder
Em razão do feriado de Natal, não teremos, nesta segunda-feira, os comentários do articulista João Severo.
Geddel denunciado por propaganda eleitoral antecipada
A Procuradoria Regional Eleitoral protocolou a sexta-feira uma representação contra o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) por propaganda eleitoral antecipada. No documento, encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, a Procuradoria pede a suspensão imediata do jornal informativo do PMDB por trazer reportagens favoráveis ao ministro.
Na representação, a Procuradoria ressalta que a produção do jornal "É o 15", do PMDB, não é ilícita, mas a edição nº 6 desrespeita a legislação eleitoral porque associa a imagem de Geddel a manchetes favoráveis ao ministro, como: "PMDB é assim: promete e cumpre"; "Os recursos foram garantidos pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e as obras de macrodrenagem serão entregues em dezembro"; "Encontros Regionais: o partido está cada vez mais perto de uma candidatura própria".
O jornal traz ainda uma entrevista com Geddel que tem como título "Um ministro a serviço da Bahia". Em outra matéria, o ministro teria dito que "se o povo me chama, eu vou", em referência à sua candidatura ao governo baiano.
Para a Procuradoria, não há duvida acerca da atitude do ministro "no sentido de expor o nome, imagem e ações políticas (já realizadas e as que se propõe a implementar), com nítidos objetivos eleitorais, sempre buscando demonstrar ser o mais habilitado para o exercício do mandato almejado".
Na representação, a Procuradoria ressalta que a produção do jornal "É o 15", do PMDB, não é ilícita, mas a edição nº 6 desrespeita a legislação eleitoral porque associa a imagem de Geddel a manchetes favoráveis ao ministro, como: "PMDB é assim: promete e cumpre"; "Os recursos foram garantidos pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e as obras de macrodrenagem serão entregues em dezembro"; "Encontros Regionais: o partido está cada vez mais perto de uma candidatura própria".
O jornal traz ainda uma entrevista com Geddel que tem como título "Um ministro a serviço da Bahia". Em outra matéria, o ministro teria dito que "se o povo me chama, eu vou", em referência à sua candidatura ao governo baiano.
Para a Procuradoria, não há duvida acerca da atitude do ministro "no sentido de expor o nome, imagem e ações políticas (já realizadas e as que se propõe a implementar), com nítidos objetivos eleitorais, sempre buscando demonstrar ser o mais habilitado para o exercício do mandato almejado".
Lula segue receita de Cuba. Pode não dar certo
Todos assistimos nos últimos três anos à mitificação final de Fidel Castro. O crápula recolheu-se ao isolamento motivado por uma doença desconhecida, mas de lá continua mandando e dominando a feroz ditadura cubana, especialmente no que se refere à política internacional.
É ele quem recebe os presidentes e ministros em Cuba para o beija-mão. Continua sendo, para todos os efeitos, o secretário geral do partido. Ninguém duvida que Raul Castro é apenas o seu carrasco, como sempre foi. Um substituto sem carisma, sem relevância, sem alma, frio, gelado, pronto para matar.
Aqui no Brasil, o mesmo começa a acontecer com Lula. Não tendo conseguido impor a ditadura do terceiro mandato, vai recolher-se ao exílio involuntário por força da lei, após oito anos. No seu lugar, tentará impor um carrasco escolhido a dedo: Dilma Rousseff. Na hipótese de vitória, ninguém duvida que será ele a comandar o país, na companhia de José Dirceu e outros mensaleiros da sua mais estrita confiança.
Lula sairá do poder como um semideus, com direito a filme em vida, coisa que nem Fidel ousou fazer, sempre delegando ao guerrilheiro finado Che as honras poéticas da assassina revolução cubana.
Lula não escreverá cartas semanais como Fidel, pois não sabe escrever, mas a romaria ao seu escritório em São Bernardo do Campo será constante, com plantonistas da imprensa à porta. Por lá continuarão passando presidentes e ministros. Lula está forte como um jumento, não padece de nenhuma enfermidade. Obviamente, terá que tomar cuidado com as alegrias proporcionadas pelo copo, mas poderá dormir até mais tarde, sem problemas com o bafo e as olheiras.
Se conseguir impor o seu Raul Castro, o nosso Fidel vai estar lá, de plantão, mandando e pronto para voltar em 2014. Se não conseguir, teremos quatro anos para destruir o mito, para que não volte nunca mais.
É ele quem recebe os presidentes e ministros em Cuba para o beija-mão. Continua sendo, para todos os efeitos, o secretário geral do partido. Ninguém duvida que Raul Castro é apenas o seu carrasco, como sempre foi. Um substituto sem carisma, sem relevância, sem alma, frio, gelado, pronto para matar.
Aqui no Brasil, o mesmo começa a acontecer com Lula. Não tendo conseguido impor a ditadura do terceiro mandato, vai recolher-se ao exílio involuntário por força da lei, após oito anos. No seu lugar, tentará impor um carrasco escolhido a dedo: Dilma Rousseff. Na hipótese de vitória, ninguém duvida que será ele a comandar o país, na companhia de José Dirceu e outros mensaleiros da sua mais estrita confiança.
Lula sairá do poder como um semideus, com direito a filme em vida, coisa que nem Fidel ousou fazer, sempre delegando ao guerrilheiro finado Che as honras poéticas da assassina revolução cubana.
Lula não escreverá cartas semanais como Fidel, pois não sabe escrever, mas a romaria ao seu escritório em São Bernardo do Campo será constante, com plantonistas da imprensa à porta. Por lá continuarão passando presidentes e ministros. Lula está forte como um jumento, não padece de nenhuma enfermidade. Obviamente, terá que tomar cuidado com as alegrias proporcionadas pelo copo, mas poderá dormir até mais tarde, sem problemas com o bafo e as olheiras.
Se conseguir impor o seu Raul Castro, o nosso Fidel vai estar lá, de plantão, mandando e pronto para voltar em 2014. Se não conseguir, teremos quatro anos para destruir o mito, para que não volte nunca mais.
domingo, 27 de dezembro de 2009
A censura voltou
A censura já se instalou, como os blogueiros brasileiros têm constatado. Perdemos a liberdade de escrever o que pensamos, sob o risco de ter nosso blog censurado ou retirado do ar, ou sermos presos e algemados, como aconteceu com um jornalista no Acre. Não se pode mais sair às ruas para gritar contra políticos que nos agridem com a desonestidade debochada e asquerosa. Nos livramos da ditadura militar e estamos, hoje, na ditadura da canalhice. E alguns ainda dizem que estamos num país democrático.
Pós-eleições, estreará longa metragem sobre o mensalão
Com o atraso de um ano, o cineasta José Padilha, diretor do premiado “Tropa de Elite” começa a filmar no segundo semestre de 2010 um filme sobre o maior escândalo de corrupção da história brasileira, o Mensalão. Com o título de “Nunca antes na história deste país”, o longa chegará às salas de cinema em 2011, quando as eleições presidenciais já tiverem passado, no que se perderá uma excelente oportunidade de se desmascarar “o filho do Brasil”.
O filme foi um dos escolhidos no edital de seleção pública de projetos cinematográficos 2009 do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco vai liberar R$ 1 milhão para a produção da trama.
O novo trabalho de Padilha se passa em Brasília, relata o esquema de caixa dois em campanhas e de compra de votos de parlamentares - batizado de mensalão - e conta com sequências paralelas que relatam problemas sociais do país. É uma ficção que envolve a relação entre o poder Legislativo e o poder Executivo, fala dos patrocinadores de campanha dos políticos.
Os nomes dos personagens da trama são todos fictícios. Na vida real, o esquema do mensalão foi revelado em 2005 e é a maior causa em julgamento nos 200 anos de existência do Supremo Tribunal Federal (STF). Sem previsão de ser levado ao plenário da Suprema Corte, o processo está prestes a completar dois anos tramitando no STF e já acumula quase 100 volumes e mais de 170 anexos – um calhamaço superior a 30 mil páginas e 150 quilos que exige três carrinhos elétricos para ser transportado.
Todos os 40 réus - alguns deles personagens ilustres da política nacional - e as 41 testemunhas de acusação já prestaram depoimento. Pelo menos 34 advogados atuam na defesa dos réus do mensalão. Na fase atual, o STF está concentrado sobre as testemunhas de defesa, cerca de 600, boa parte delas residente no exterior, para dificultar ao máximo o andamento do processo e atrasar o julgamento, na esperança de que caia no esquecimento.
O filme foi um dos escolhidos no edital de seleção pública de projetos cinematográficos 2009 do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco vai liberar R$ 1 milhão para a produção da trama.
O novo trabalho de Padilha se passa em Brasília, relata o esquema de caixa dois em campanhas e de compra de votos de parlamentares - batizado de mensalão - e conta com sequências paralelas que relatam problemas sociais do país. É uma ficção que envolve a relação entre o poder Legislativo e o poder Executivo, fala dos patrocinadores de campanha dos políticos.
Os nomes dos personagens da trama são todos fictícios. Na vida real, o esquema do mensalão foi revelado em 2005 e é a maior causa em julgamento nos 200 anos de existência do Supremo Tribunal Federal (STF). Sem previsão de ser levado ao plenário da Suprema Corte, o processo está prestes a completar dois anos tramitando no STF e já acumula quase 100 volumes e mais de 170 anexos – um calhamaço superior a 30 mil páginas e 150 quilos que exige três carrinhos elétricos para ser transportado.
Todos os 40 réus - alguns deles personagens ilustres da política nacional - e as 41 testemunhas de acusação já prestaram depoimento. Pelo menos 34 advogados atuam na defesa dos réus do mensalão. Na fase atual, o STF está concentrado sobre as testemunhas de defesa, cerca de 600, boa parte delas residente no exterior, para dificultar ao máximo o andamento do processo e atrasar o julgamento, na esperança de que caia no esquecimento.
sábado, 26 de dezembro de 2009
A desproporcional reação popular ao mensalão do DEM
Por mais escandaloso que tenham sido as cenas em que membros do governo do Distrito Federal e o próprio governador aparecem recebendo dinheiro ilícito, a reação popular é desproporcional em comparação com a apatia da sociedade quando veio à tona o mensalao do PT.
Isso nos deixa com a impressão de que o governo federal realmente conseguiu aparelhar de tal forma o movimento sindical e estudantil que, diante da monstruosa corrupção petista, não se vê o mais tímido sinal de indignação.
Comparadas as duas situações, o mensalão do DEM e o mensalão do PT, constatamos que o segundo caso apresentava um grau de profundidade e ostensividade maior que o primeiro.
E qual foi a reação popular?
Nenhuma.
Os movimentos sociais, as centrais sindicais, o MST, todos calaram. Nem sequer os “caras pintadas” se mobilizaram. A sociedade assistiu passiva a uma sucessão de escândalos que exigiam, no mínimo, que os cidadãos fossem mobilizados para cobrar esclarecimentos e punições, ainda que poupassem o presidente.
Os mesmos setores que ocuparam a Assembléia Legislativa e a sede do governo do Distrito Federal, sequer estenderam uma faixa diante do Palácio do Planalto ou do Congresso Nacional.
Diante desta comparação fica nítida a cooptação realizada pelo governo do presidente Lula. Em linguagem gramciana podemos afirmar que o Estado obteve sua hegemonia intelectual e moral sobre a sociedade civil. Não há mais espaço para a manifestação autônoma.
E pior do que isso, é possível identificar um viés ideológico e partidário que embalou as manifestações e os protestos contra o governo Arruda.
Os comentários aqui tecidos não visam minimizar a corrupção praticada pelo governo Arruda, tampouco justificar a repressão adotada, que exacerbou os limites toleráveis no Estado Democrático de Direito. A intenção aqui é tão somente demonstrar que, em virtude do aparelhamento ideológico do Estado, a reação popular foi desproporcional, quando se compara os dois mensalões.
*Professor de Ciência Política da UFSM
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Gustavo Müller
Serra está na mira do Batráquio
Bastou Aécio Neves(PSDB-MG) sair da disputa para que Lula voltasse as suas baterias, diariamente, contra José Serra(PSDB-SP), buscando a tão sonhada polarização que permitirá que ele realize a campanha presidencial que pretende, olhando o país pelo retrovisor. Os ataques saem na forma de piadinhas de mesa de boteco sobre futebol até acusações pesadas de que as obras que Serra inaugura são federais, como se os impostos cobrados dos paulistas pela União não devessem retornar ao estado.
Serra, obviamente, está fugindo do confronto, com uma postura séria. Ontem, declarou: "Tem gente tentando antecipar o processo eleitoral, tirando-me do foco do governo de São Paulo, mas eu não caio nessa". Na verdade, José Serra tem mais obras para inaugurar do que o PAC da Dilma. Tem mais o que mostrar em termos de realizações em áreas críticas como a Saúde e a Segurança.
Se o sonho de Lula é comparar o Brasil dele com o Brasil de FHC, a resposta de Serra é comparar o Brasil de Lula com o São Paulo dele. Por isso, quanto mais tarde Serra sair do governo, melhor. E aí reside todo o nervosismo da imprensa lulista e do próprio Lula.
Serra, obviamente, está fugindo do confronto, com uma postura séria. Ontem, declarou: "Tem gente tentando antecipar o processo eleitoral, tirando-me do foco do governo de São Paulo, mas eu não caio nessa". Na verdade, José Serra tem mais obras para inaugurar do que o PAC da Dilma. Tem mais o que mostrar em termos de realizações em áreas críticas como a Saúde e a Segurança.
Se o sonho de Lula é comparar o Brasil dele com o Brasil de FHC, a resposta de Serra é comparar o Brasil de Lula com o São Paulo dele. Por isso, quanto mais tarde Serra sair do governo, melhor. E aí reside todo o nervosismo da imprensa lulista e do próprio Lula.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Decisão difícil
Lula não quis comentar se irá ou não extraditar o ex-ativista italiano Cesare Battisti, mas reagiu como um ditador aos questionamentos sobre como analisava a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
"Não me importo com o que disse o STF. Ele teve a chance de fazer e fez. Eu não dei palpite", afirmou. "A decisão é minha. Tomo a decisão que for melhor para o País. Até lá não tenho o que comentar."
Este é o presidente que a Imprensa incensa e que os empresários veneram. Um dia fechará todos os jornais e estatizará as empresas. Aí será tarde demais.
"Não me importo com o que disse o STF. Ele teve a chance de fazer e fez. Eu não dei palpite", afirmou. "A decisão é minha. Tomo a decisão que for melhor para o País. Até lá não tenho o que comentar."
Este é o presidente que a Imprensa incensa e que os empresários veneram. Um dia fechará todos os jornais e estatizará as empresas. Aí será tarde demais.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Yoani em Berlim
*Demétrio Magnoli- Você ainda não está autorizada a viajar.
- E por qual razão?
- A razão desconheço.
- Não tenho nenhuma causa legal pendente, não estou sendo processada perante um tribunal.
- No momento, você não pode viajar.”
- Você sabe que esta é uma violação de meus direitos constitucionais. É como o direito à educação e à comida: o direito de poder se mover.
- No momento, você não pode viajar.
- Esta instituição que você representa, um dia acabará. Meus netos não viverão nessas condições. Este país é um grande cárcere, com uma fronteira ideológica, uma fronteira partidária. Os cidadãos aqui são julgados por cores políticas. Mas isso um dia acabará. Porque esta nação nada tem que ver com uma ideologia, nem com um partido. Esta nação existiu e existirá antes e depois de vocês.”
Esse diálogo, cuja íntegra está no blog Generación Y, foi travado em 12 de outubro entre a blogueira cubana Yoani Sánchez e uma funcionária do Escritório de Imigração de Havana. A proibição de viajar, reiterada há mais de ano, impediu Yoani de receber o Prêmio Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Colúmbia, e de comparecer aos eventos de lançamento de seu livro "De Cuba, com Carinho", publicado pela Editora Contexto, que se realizam nestes dias no Brasil.
Yoani faz um dos blogs mais acessados do mundo, que é bloqueado na restrita internet cubana. Ela não se enquadra no jogo bipolar da política de seu país. Por erguer a bandeira da liberdade de expressão, é acusada pelo regime castrista de servir a “interesses contrarrevolucionários estrangeiros”. Por registrar que o embargo econômico americano funciona como pretexto útil para a ditadura dos Castros, é acusada pelo núcleo duro da oposição cubano-americana de Miami de operar para o serviço de inteligência de Cuba. A resposta encontra-se no seu livro, na forma de uma citação do compositor antifranquista espanhol Joaquín Sabina: Siempre que lucha la KGB contra la CIA, gana al final la policía.
O Muro de Berlim, ícone desmoralizante do “socialismo real”, caiu há 20 anos, mas uma réplica anacrônica subsiste ao redor da Ilha de Cuba, sob a forma da “fronteira partidária” denunciada por Yoani. Cuba não tem relevância econômica ou estratégica, mas possui colossal importância simbólica: o “grande cárcere” do Caribe representa, ainda hoje, a pátria ideológica da esquerda latino-americana. O episódio do lançamento do livro de Yoani no Brasil é uma aula inteira sobre o tema.
O consulado cubano de São Paulo recusou-se até mesmo a protocolar um convite da editora à autora para os eventos de lançamento do livro. Eduardo Suplicy (PT-SP), desafiando a ortodoxia de seu partido, pronunciou discurso no Senado solicitando a concessão da autorização de viagem. Por iniciativa de Demóstenes Torres (DEM-GO), o Senado dirigiu à Embaixada de Cuba um convite para Yoani debater o livro em audiência pública. Fernando Henrique Cardoso somou-se ao convite, por meio de carta ao governo cubano em que solicitava pessoalmente a permissão de viagem. Mas Havana nem sequer ofereceu uma resposta aos variados apelos - que não incluíram nenhuma voz do governo brasileiro.
Cuba e Brasil são signatários do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos da ONU, que consagra o direito de todos de sair de seu país e retornar a ele. A Constituição determina que o Brasil rege suas relações internacionais pelo princípio do respeito aos direitos humanos. Nada disso importa para Lula, que qualifica Fidel Castro como o “único mito vivo da história da humanidade”, nem para Celso Amorim, que sempre escolhe a palavra “democracia” para se referir a Honduras e a palavra “soberania” para se referir a Cuba. Nenhum dos dois emitiu uma mísera nota de apoio ao convite dirigido pelo Senado à escritora cubana.
O silêncio é amplo e sólido. Tarso Genro, o ministro do Arbítrio, deportou ilegalmente boxeadores cubanos ameaçados de perseguição, mas não moveu um dedo pelo direito legal de uma escritora independente falar ao público brasileiro. Paulo Vanucchi, chefe de um Ministério que ostenta no seu nome os direitos humanos, loquaz na defesa do estatuto de refugiado político do italiano Cesare Battisti, não pronunciou uma única palavra sobre o direito de viajar da cubana cujo “crime” é expressar suas opiniões. Eles não têm vergonha?
Yoani não vem ao Brasil porque o regime castrista pratica um abominável intercâmbio de direitos por fidelidade ideológica. A submissão ativa ao Partido é recompensada por um emprego cobiçado no setor turístico, pela almejada licença para comprar um automóvel ou pela preciosa autorização de viagem ao exterior. A coragem de dissentir é punida com a cassação tácita, jamais justificada, dos direitos inscritos na lei.
Num país que julga seu cidadãos “por cores políticas”, ninguém é verdadeiramente cidadão. Foi isso que Yoani disse no Escritório de Imigração, ao evidenciar o caráter totalitário de um regime que faz a nação se identificar com uma ideologia e um partido.
Os intelectuais de esquerda brasileiros, com honrosas exceções, pensam o mesmo que a ditadura castrista sobre a opinião independente. Anos atrás, num abaixo-assinado, solicitaram a demissão de um articulista que ousara criticar as ideias do palestino-americano Edward Said e há pouco fizeram um escarcéu coletivo em torno de uma palavra fora de lugar no editorial de um jornal. No caso de Yoani, porém, acompanharam o eloquente silêncio de Lula e seus ministros.
A sangrenta consolidação do stalinismo na URSS foi amparada por manifestos emanados da pena de intelectuais “humanistas” como Louis Aragon, Romain Rolland e Paul Sweezy. Nossos intelectuais de esquerda são os herdeiros legítimos deles. A régua com que medem direitos e liberdades é feita do mesmo maleável material ideológico que sustenta o Muro de Cuba.
*Doutor em Geografia Humana pela USP
- E por qual razão?
- A razão desconheço.
- Não tenho nenhuma causa legal pendente, não estou sendo processada perante um tribunal.
- No momento, você não pode viajar.”
- Você sabe que esta é uma violação de meus direitos constitucionais. É como o direito à educação e à comida: o direito de poder se mover.
- No momento, você não pode viajar.
- Esta instituição que você representa, um dia acabará. Meus netos não viverão nessas condições. Este país é um grande cárcere, com uma fronteira ideológica, uma fronteira partidária. Os cidadãos aqui são julgados por cores políticas. Mas isso um dia acabará. Porque esta nação nada tem que ver com uma ideologia, nem com um partido. Esta nação existiu e existirá antes e depois de vocês.”
Esse diálogo, cuja íntegra está no blog Generación Y, foi travado em 12 de outubro entre a blogueira cubana Yoani Sánchez e uma funcionária do Escritório de Imigração de Havana. A proibição de viajar, reiterada há mais de ano, impediu Yoani de receber o Prêmio Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Colúmbia, e de comparecer aos eventos de lançamento de seu livro "De Cuba, com Carinho", publicado pela Editora Contexto, que se realizam nestes dias no Brasil.
Yoani faz um dos blogs mais acessados do mundo, que é bloqueado na restrita internet cubana. Ela não se enquadra no jogo bipolar da política de seu país. Por erguer a bandeira da liberdade de expressão, é acusada pelo regime castrista de servir a “interesses contrarrevolucionários estrangeiros”. Por registrar que o embargo econômico americano funciona como pretexto útil para a ditadura dos Castros, é acusada pelo núcleo duro da oposição cubano-americana de Miami de operar para o serviço de inteligência de Cuba. A resposta encontra-se no seu livro, na forma de uma citação do compositor antifranquista espanhol Joaquín Sabina: Siempre que lucha la KGB contra la CIA, gana al final la policía.
O Muro de Berlim, ícone desmoralizante do “socialismo real”, caiu há 20 anos, mas uma réplica anacrônica subsiste ao redor da Ilha de Cuba, sob a forma da “fronteira partidária” denunciada por Yoani. Cuba não tem relevância econômica ou estratégica, mas possui colossal importância simbólica: o “grande cárcere” do Caribe representa, ainda hoje, a pátria ideológica da esquerda latino-americana. O episódio do lançamento do livro de Yoani no Brasil é uma aula inteira sobre o tema.
O consulado cubano de São Paulo recusou-se até mesmo a protocolar um convite da editora à autora para os eventos de lançamento do livro. Eduardo Suplicy (PT-SP), desafiando a ortodoxia de seu partido, pronunciou discurso no Senado solicitando a concessão da autorização de viagem. Por iniciativa de Demóstenes Torres (DEM-GO), o Senado dirigiu à Embaixada de Cuba um convite para Yoani debater o livro em audiência pública. Fernando Henrique Cardoso somou-se ao convite, por meio de carta ao governo cubano em que solicitava pessoalmente a permissão de viagem. Mas Havana nem sequer ofereceu uma resposta aos variados apelos - que não incluíram nenhuma voz do governo brasileiro.
Cuba e Brasil são signatários do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos da ONU, que consagra o direito de todos de sair de seu país e retornar a ele. A Constituição determina que o Brasil rege suas relações internacionais pelo princípio do respeito aos direitos humanos. Nada disso importa para Lula, que qualifica Fidel Castro como o “único mito vivo da história da humanidade”, nem para Celso Amorim, que sempre escolhe a palavra “democracia” para se referir a Honduras e a palavra “soberania” para se referir a Cuba. Nenhum dos dois emitiu uma mísera nota de apoio ao convite dirigido pelo Senado à escritora cubana.
O silêncio é amplo e sólido. Tarso Genro, o ministro do Arbítrio, deportou ilegalmente boxeadores cubanos ameaçados de perseguição, mas não moveu um dedo pelo direito legal de uma escritora independente falar ao público brasileiro. Paulo Vanucchi, chefe de um Ministério que ostenta no seu nome os direitos humanos, loquaz na defesa do estatuto de refugiado político do italiano Cesare Battisti, não pronunciou uma única palavra sobre o direito de viajar da cubana cujo “crime” é expressar suas opiniões. Eles não têm vergonha?
Yoani não vem ao Brasil porque o regime castrista pratica um abominável intercâmbio de direitos por fidelidade ideológica. A submissão ativa ao Partido é recompensada por um emprego cobiçado no setor turístico, pela almejada licença para comprar um automóvel ou pela preciosa autorização de viagem ao exterior. A coragem de dissentir é punida com a cassação tácita, jamais justificada, dos direitos inscritos na lei.
Num país que julga seu cidadãos “por cores políticas”, ninguém é verdadeiramente cidadão. Foi isso que Yoani disse no Escritório de Imigração, ao evidenciar o caráter totalitário de um regime que faz a nação se identificar com uma ideologia e um partido.
Os intelectuais de esquerda brasileiros, com honrosas exceções, pensam o mesmo que a ditadura castrista sobre a opinião independente. Anos atrás, num abaixo-assinado, solicitaram a demissão de um articulista que ousara criticar as ideias do palestino-americano Edward Said e há pouco fizeram um escarcéu coletivo em torno de uma palavra fora de lugar no editorial de um jornal. No caso de Yoani, porém, acompanharam o eloquente silêncio de Lula e seus ministros.
A sangrenta consolidação do stalinismo na URSS foi amparada por manifestos emanados da pena de intelectuais “humanistas” como Louis Aragon, Romain Rolland e Paul Sweezy. Nossos intelectuais de esquerda são os herdeiros legítimos deles. A régua com que medem direitos e liberdades é feita do mesmo maleável material ideológico que sustenta o Muro de Cuba.
*Doutor em Geografia Humana pela USP
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Demétrio Magnoli
Burocratas/gigôlos sindicais acodem o chefe Lula
Opinião do Leitor, publicada na Folha:
No seu papel de lacaios e instrumentos do governo Lula, os burocratas/gigôlos das centrais sindicais vieram novamente à publico defender o pelego-mor Luiz Inácio. Divulgaram ontem uma declaração na qual criticam o artigo "Os Filhos do Brasil", de César Benjamin, publicado na edição de 27/11 do jornal Folha de São Paulo. Nesse artigo César Benjamin (também fundador do PT) relatou conversa com Lula em 1994, em que o então candidato a presidente disse que, no período em que esteve preso no Dops, em 1980, tentou "subjugar", num contexto sexual, um companheiro de cela chamado por ele de "menino do MEP".
O manifesto é assinado pelos burocratas/gigôlos Antonio Neto (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Artur Henrique (Central Única dos Trabalhadores), José Calixto Ramos (Nova Central Sindical de Trabalhadores), Paulo Pereira da Silva (Força Sindical), Ricardo Patah (União Geral dos Trabalhadores) e Wagner Gomes (Central de Trabalhadores do Brasil). Eles saem em campo na defesa do chefe, como revelam na nota, preocupados com as eleições de 2010. Na verdade querem manter a "boquinha"; a presença no "governo central", isto é, os milhões que embolsam com o imposto sindical, cargos no governo, no parlamento e empresas estatais, com as verbas de convênios, publicidade, etc.
Nesse momento em que mais escândalos de corrupção estouram em Brasília e mostram a verdadeira podridão dessa falsa democracia implantada no pais, com políticos e empresários, enfiando milhões nas meias e cuecas, os gigôlos sindicais fazem apologia de um suposto fortalecimento da "democracia brasileira".
Enquanto os trabalhadores amargam violento arrocho salarial, os aposentados são roubados em seus direitos previdenciários, os gigôlos das centrais sindicais junto com os políticos, grandes burgueses e latifundiários nadam em dinheiro. Só do imposto sindical são 100 milhões que vai para o bolso da cúpula das centrais sindicais pelegas, sem contar as boladas dos convênios com órgãos estatais, ministérios, bancos e empresas. E mais os cargos no governo, no parlamento, nos conselhos das empresas estatais, no Sesi, Sesc, etc. e etc. Sem falar das outras negociatas encobertas que os próximos escândalos de corrupção revelarão.
É nojento ver esses sindicalistas pelegos e vendidos bajular o pelego-mor Lula, ocupando altos cargos na gerência desse governo corrupto e corruptor, na gerência desse podre e genocida Estado brasileiro. São escândalos e mais escândalos. Um encobrindo o outro. Mensalão, cartões corporativos, sanguessuga, dinheiro nas cuecas, nas malas pretas, na Suíça, mordomias, etc. Dinheiro para o sindicalismo de negócios escamotear, fazer proposições e defender os ataques perpetrados diariamente contra os direitos dos trabalhadores!
No seu papel de lacaios e instrumentos do governo Lula, os burocratas/gigôlos das centrais sindicais vieram novamente à publico defender o pelego-mor Luiz Inácio. Divulgaram ontem uma declaração na qual criticam o artigo "Os Filhos do Brasil", de César Benjamin, publicado na edição de 27/11 do jornal Folha de São Paulo. Nesse artigo César Benjamin (também fundador do PT) relatou conversa com Lula em 1994, em que o então candidato a presidente disse que, no período em que esteve preso no Dops, em 1980, tentou "subjugar", num contexto sexual, um companheiro de cela chamado por ele de "menino do MEP".
O manifesto é assinado pelos burocratas/gigôlos Antonio Neto (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Artur Henrique (Central Única dos Trabalhadores), José Calixto Ramos (Nova Central Sindical de Trabalhadores), Paulo Pereira da Silva (Força Sindical), Ricardo Patah (União Geral dos Trabalhadores) e Wagner Gomes (Central de Trabalhadores do Brasil). Eles saem em campo na defesa do chefe, como revelam na nota, preocupados com as eleições de 2010. Na verdade querem manter a "boquinha"; a presença no "governo central", isto é, os milhões que embolsam com o imposto sindical, cargos no governo, no parlamento e empresas estatais, com as verbas de convênios, publicidade, etc.
Nesse momento em que mais escândalos de corrupção estouram em Brasília e mostram a verdadeira podridão dessa falsa democracia implantada no pais, com políticos e empresários, enfiando milhões nas meias e cuecas, os gigôlos sindicais fazem apologia de um suposto fortalecimento da "democracia brasileira".
Enquanto os trabalhadores amargam violento arrocho salarial, os aposentados são roubados em seus direitos previdenciários, os gigôlos das centrais sindicais junto com os políticos, grandes burgueses e latifundiários nadam em dinheiro. Só do imposto sindical são 100 milhões que vai para o bolso da cúpula das centrais sindicais pelegas, sem contar as boladas dos convênios com órgãos estatais, ministérios, bancos e empresas. E mais os cargos no governo, no parlamento, nos conselhos das empresas estatais, no Sesi, Sesc, etc. e etc. Sem falar das outras negociatas encobertas que os próximos escândalos de corrupção revelarão.
É nojento ver esses sindicalistas pelegos e vendidos bajular o pelego-mor Lula, ocupando altos cargos na gerência desse governo corrupto e corruptor, na gerência desse podre e genocida Estado brasileiro. São escândalos e mais escândalos. Um encobrindo o outro. Mensalão, cartões corporativos, sanguessuga, dinheiro nas cuecas, nas malas pretas, na Suíça, mordomias, etc. Dinheiro para o sindicalismo de negócios escamotear, fazer proposições e defender os ataques perpetrados diariamente contra os direitos dos trabalhadores!
PT persegue jornalista, no Acre
O jornalista Antônio Muniz, assessor da Câmara dos Vereadores de Rio Branco e colunista de política da TV e do jornal O Rio Branco, do Acre, foi preso nesta terça-feira por descumprimento de determinação judicial. Em 2002, ele foi condenado a um ano de detenção por difamação, mas conseguiu a suspensão condicional da pena.
Por não ter cumprido as condições determinadas pela Justiça, em 2006 teve o direito de suspensão da pena revogado e, após não comparecer em diversas audiências, teve a prisão decretada.
O Sindicato dos Jornalistas do Acre pretende entrar com um pedido de habeas corpus ainda na tarde desta quarta-feira. O processo se refere a uma nota publicada em coluna no jornal O Rio Branco em 1999. Nela, Muniz criticava o senador Tião Viana (PT), que se sentiu difamado e pediu a abertura de ação criminal contra o jornalista.
O editor-chefe do jornal, Cezar Negreiros, lamentou a a condenação de Muniz, dizendo que foi uma arbitrariedade prender um jornalista com base em uma lei que foi extinta. Ele se referiu à decisão do Supremo Tribunal Federal que em abril deste ano considerou a Lei de Imprensa inconstitucional.
Esse também é o posicionamento do sindicato, que, por meio de nota, repudia a prisão de Muniz. “O Sinjac condena a postura do Judiciário acreano, que utilizou como argumento artigos da extinta Lei de Imprensa, demonstrando o retrocesso que tem sido comum quando se trata de restringir direitos fundamentais”.
Por não ter cumprido as condições determinadas pela Justiça, em 2006 teve o direito de suspensão da pena revogado e, após não comparecer em diversas audiências, teve a prisão decretada.
O Sindicato dos Jornalistas do Acre pretende entrar com um pedido de habeas corpus ainda na tarde desta quarta-feira. O processo se refere a uma nota publicada em coluna no jornal O Rio Branco em 1999. Nela, Muniz criticava o senador Tião Viana (PT), que se sentiu difamado e pediu a abertura de ação criminal contra o jornalista.
O editor-chefe do jornal, Cezar Negreiros, lamentou a a condenação de Muniz, dizendo que foi uma arbitrariedade prender um jornalista com base em uma lei que foi extinta. Ele se referiu à decisão do Supremo Tribunal Federal que em abril deste ano considerou a Lei de Imprensa inconstitucional.
Esse também é o posicionamento do sindicato, que, por meio de nota, repudia a prisão de Muniz. “O Sinjac condena a postura do Judiciário acreano, que utilizou como argumento artigos da extinta Lei de Imprensa, demonstrando o retrocesso que tem sido comum quando se trata de restringir direitos fundamentais”.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Perspectivas para 2010
Tradicionalmente, os finais de ano são marcados pelas retrospectivas e perspectivas. Como se trata de um ano eleitoral, prefiro concentrar energias na segunda opção, e comentar as perspectivas de cenário para as eleições presidenciais e para governador do Rio Grande do Sul.
No primeiro caso, a grande incógnita será se Serra, uma vez decidido a disputar a presidência, manterá a vantagem, ou se Dilma, que nunca enfrentou a arena eleitoral, conseguirá ter alguma chance de capitalizar a popularidade do seu padrinho político.
A vantagem de Serra neste momento é justificável. Serra possui o que os analistas chamam de recall, ou seja, está mais presente na memória dos eleitores. Serra foi ministro da Saúde, em uma gestão bem sucedida, candidato a presidente em 2002, prefeito e governador de São Paulo.
Dilma, por sua vez, passará pelo seu primeiro teste eleitoral. Sua superexposição na mídia lhe conferiu um background para dar a largada na disputa eleitoral, mas não se sabe ao certo qual o seu potencial de crescimento. Nesse momento, a conjuntura parece mostrar que a única chance de Dilma será “colar” em sua imagem a manutenção dos programas de transferência de renda.
No âmbito estadual, temos duas candidaturas postas. Uma é Tarso Genro pelo PT e a outra é José Fogaça pelo PMDB.
O que essas candidaturas têm a oferecer ao Rio Grande do Sul?
Nada.
Ambas passaram pelo governo, ou melhor, seus respectivos partidos, e nenhuma medida foi tomada para que o estado mudasse de rota. Ao contrário, os dois partidos aprofundaram a grave crise que se abateu sobre as finanças públicas, aprofundando o fosso entre receita e despesa.
Por outro lado, a governadora Yeda Crusius, que está tomando medidas para preparar o estado para o futuro, terá que fazer um esforço gigantesco para informar os eleitores a respeito das realizações do seu governo.
Tal esforço adquire proporções gigantescas em virtude do cerco político armado por uma oposição sistemática e inescrupulosa, que utilizou de todos os meios imagináveis para desinformar o eleitorado e difamar a imagem pessoal da governadora.
Todavia, a pesquisa espontânea feita pelo programa Gaúcha Atualidade, da rádio Gaúcha, mostra que tal esforço pode valer a pena.
*Professor de Ciência Política da UFSM
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Gustavo Müller
Não dá para levar a sério
A CPI montada pelo príncipe dos Onanistas Tarso Genro e seus aliados contra a governadora Yeda Crusius chegou ao fim sem que nada fosse provado pela Justiça ou pelo Legislativo. Yeda Crusius, uma gigante, foi totalmente absolvida em todos os foros onde enfrentou as mais perversas acusações. No entanto, as manchetes dos jornais são de que a CPI foi encerrada com dois relatórios, um legal e o outro midiático. O destaque não é para a completa absolvição. É para as falsas acusações. E não há o que a governadora possa dizer para se defender. Ela já foi julgada e condenada pela mídia batraquiana.
Aliás, falando na imprensa gaúcha, matéria do jornal Zero Hora sobre a última pesquisa de popularidade do Batráquio é interessante. Mancheteia que Lula tem a aprovação recorde de 72% (mentira. Já chegou a 84%. Se está em 72%, é porque está caindo). No subtítulo, diz que, no RS, a popularidade é a mais baixa do país, com módicos 58%.
Fosse um jornalismo sério, o destaque seria para o mais baixo nível de popularidade de Lula em todo o país, afinal, ZH é um jornal regional, e não nacional. Mas como não é um jornalismo sério...
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Homens públicos ou ratos?
Por qual motivo o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Ubiratan Aguiar, o ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, o príncipe dos onanistas, Tarso Genro, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, e o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes, não terão que comparecer à CPI do MST, sendo visitados na calada da noite e longe dos holofotes da imprensa para falar de um dos maiores problemas brasileiros?
O que estes senhores têm a esconder nos seus depoimentos? Que país é esse onde um Ministro da Justiça não pode ir ao Senado da República prestar contas de atos e fatos na sua área? E o diretor-geral da Polícia Federal? E o presidente do Supremo? Desde quando autoridades responderem sobre as suas atribuições configura "exposição" desnecessária? Não são homens públicos prestando contas ao país?
Espera-se que, pelo menos, entre os citados, existam homens de verdade. Um sabemos que já fugiu escondido usando o vestido de chita de uma prenda gaúcha. Mas seria lamentável para a biografia dos outros que não adentrassem na CPI do MST de cabeça erguida e sem nada a temer, para falar aos cidadãos brasileiros que pagam os seus salários.
O que estes senhores têm a esconder nos seus depoimentos? Que país é esse onde um Ministro da Justiça não pode ir ao Senado da República prestar contas de atos e fatos na sua área? E o diretor-geral da Polícia Federal? E o presidente do Supremo? Desde quando autoridades responderem sobre as suas atribuições configura "exposição" desnecessária? Não são homens públicos prestando contas ao país?
Espera-se que, pelo menos, entre os citados, existam homens de verdade. Um sabemos que já fugiu escondido usando o vestido de chita de uma prenda gaúcha. Mas seria lamentável para a biografia dos outros que não adentrassem na CPI do MST de cabeça erguida e sem nada a temer, para falar aos cidadãos brasileiros que pagam os seus salários.
Todos os homens do Batráquio (isso daria um filme...)
São 40 os ladrões de dinheiro público que estavam encastelados no governo do PT. A cúpula do PT formou uma "sofisticada organização criminosa", que se especializou em "desviar dinheiro público e comprar apoio político", com o objetivo de "garantir a continuidade do projeto de poder" do PT.
Abaixo a lista dos 40 e os crimes que foram acusados:
Os Petistas
José Dirceu – deputado cassado do PT e ex-ministro da Casa Civil
Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
José Genoino – deputado federal do PT-SP e ex-presidente do partido
Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
Delúbio Soares – ex-tesoureiro do PT
Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
Silvio Pereira – ex-secretário-geral do PT
Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
João Paulo Cunha – deputado federal do PT-SP
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato
Luiz Gushiken - Ex-ministro da secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica e quadro do PT
Peculato
Henrique Pizzolato – Ex-diretor do Banco do Brasil e membro do PT
Pecultado, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Paulo Roberto Galvão da Rocha – Deputado federal (PT-PA)
Lavagem de dinheiro
Anita Leocádia – Ex-assessora de Paulo Rocha;
Lavagem de dinheiro
Professor Luizinho – Ex-deputado (PT-SP)
Lavagem de dinheiro
João Magno – Ex-deputado (PT-MG)
Lavagem de dinheiro
Os Empresários
Marcos Valério de Souza – empresário e publicitário
Formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Ramon Hollerbach – ex-sócio de Marcos Valério
Formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Cristiano de Mello Paz – ex-sócio de Marcos Valério;
Formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Rogério Tolentino – Advogado e ex-sócio de Marcos Alérios
Formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Simone Vasconcelos – Ex-gerente da SMP&B, uma das agências de Valério
Formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Geiza Dias dos Santos – Funcionária da SMP&B
Formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Kátia Rabello - Presidente do Banco Rural
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta
José Roberto Salgado – Diretor do Banco Rural
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta
Vinícius Samarane – Diretor do Banco Rural
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta
Ayanna Tenório Tôrres de Jesus – Diretora do Banco Rural
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta
Os Doleiros
Enivaldo Quadrado – Doleiro, sócio da corretora Bônus-Banval
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro
Breno Fishberg - Doleiro, sócio da corretora Bônus-Banval
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro
Carlos Alberto Quaglia – Doleiro, acusado de operar com a Bônus-Banval
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro
Outros Políticos
Pedro Corrêa – Deputado cassado (PP-PE)
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
José Janene – Ex-deputado (PP-PR)
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Pedro Henry – Ex-deputado (PP-MT)
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
João Cláudio Genu – Ex-assessor do PP na Câmara
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Valdemar Costa Neto – Deputado federal do PR-SP
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Jacinto Lamas – Ex-tesoureiro do PL (hoje PR)
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Antônio Lamas – Ex-assessor da liderança do PR
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro
Bispo Rodrigues – Ex-deputado do PR-RJ
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Roberto Jefferson – Deputado cassado do PTB-RJ
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Emerson Eloy Palmieri – Tesoureiro do PTB
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Romeu Queiroz – Ex-deputado (PTB-MG)
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
José Rodrigues Borba – Ex-deputado (PMDB-PR)
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Anderson Adauto – Ex-ministro dos Transportes
Corrupção ativa, lavagem de dinheiro
José Luiz Alvez – Ex-chefe de gabinete de Anderson Adauto
Lavagem de dinheiro
O Publicitário
Duda Mendonça – Dono de agência de publicidade
Abaixo a lista dos 40 e os crimes que foram acusados:
Os Petistas
José Dirceu – deputado cassado do PT e ex-ministro da Casa Civil
Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
José Genoino – deputado federal do PT-SP e ex-presidente do partido
Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
Delúbio Soares – ex-tesoureiro do PT
Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
Silvio Pereira – ex-secretário-geral do PT
Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
João Paulo Cunha – deputado federal do PT-SP
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato
Luiz Gushiken - Ex-ministro da secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica e quadro do PT
Peculato
Henrique Pizzolato – Ex-diretor do Banco do Brasil e membro do PT
Pecultado, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Paulo Roberto Galvão da Rocha – Deputado federal (PT-PA)
Lavagem de dinheiro
Anita Leocádia – Ex-assessora de Paulo Rocha;
Lavagem de dinheiro
Professor Luizinho – Ex-deputado (PT-SP)
Lavagem de dinheiro
João Magno – Ex-deputado (PT-MG)
Lavagem de dinheiro
Os Empresários
Marcos Valério de Souza – empresário e publicitário
Formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Ramon Hollerbach – ex-sócio de Marcos Valério
Formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Cristiano de Mello Paz – ex-sócio de Marcos Valério;
Formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Rogério Tolentino – Advogado e ex-sócio de Marcos Alérios
Formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Simone Vasconcelos – Ex-gerente da SMP&B, uma das agências de Valério
Formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Geiza Dias dos Santos – Funcionária da SMP&B
Formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas
Kátia Rabello - Presidente do Banco Rural
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta
José Roberto Salgado – Diretor do Banco Rural
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta
Vinícius Samarane – Diretor do Banco Rural
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta
Ayanna Tenório Tôrres de Jesus – Diretora do Banco Rural
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, gestão fraudulenta
Os Doleiros
Enivaldo Quadrado – Doleiro, sócio da corretora Bônus-Banval
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro
Breno Fishberg - Doleiro, sócio da corretora Bônus-Banval
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro
Carlos Alberto Quaglia – Doleiro, acusado de operar com a Bônus-Banval
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro
Outros Políticos
Pedro Corrêa – Deputado cassado (PP-PE)
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
José Janene – Ex-deputado (PP-PR)
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Pedro Henry – Ex-deputado (PP-MT)
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
João Cláudio Genu – Ex-assessor do PP na Câmara
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Valdemar Costa Neto – Deputado federal do PR-SP
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Jacinto Lamas – Ex-tesoureiro do PL (hoje PR)
Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Antônio Lamas – Ex-assessor da liderança do PR
Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro
Bispo Rodrigues – Ex-deputado do PR-RJ
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Roberto Jefferson – Deputado cassado do PTB-RJ
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Emerson Eloy Palmieri – Tesoureiro do PTB
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Romeu Queiroz – Ex-deputado (PTB-MG)
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
José Rodrigues Borba – Ex-deputado (PMDB-PR)
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Anderson Adauto – Ex-ministro dos Transportes
Corrupção ativa, lavagem de dinheiro
José Luiz Alvez – Ex-chefe de gabinete de Anderson Adauto
Lavagem de dinheiro
O Publicitário
Duda Mendonça – Dono de agência de publicidade
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